terça-feira, 16 de outubro de 2007

Romãs de São Martinho

No tempo das castanhas amadurecem os gomos das romãs.










terça-feira, 26 de junho de 2007

Praia

De comboio. Nem o vento corta a vontade de ficar.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Tudo

O melhor reflexo do Verão são sempre os teus olhos. Dizem-me se há núvens, sol ou Levante. Dizem-me que o tempo não pára, e ainda bem. Dizem-me que há muito amanhã. E que o Verão é longo. Entre o Mar e a Ria.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Preguiça.espreguiçada

O molhe só, conversa com a barra

Praça de Taxis

Chamam-se e lá vão.

Ponte Nova


Perto dela dormem os barcos. Saem à tardinha e chegam de madrugada.

Espelho Partido




Na maré vazia mostra o seu segredo. A meio do leito esconde o espelho partido.

Hora do pão









Tavira acorda tarde. Pela hora do pão é deserta. Vivalma.

Ondinhas


Chamam, mas ninguém lhes liga. Convidam, sozinhas. As ondas que nem rebentam, chegam à praia para se estenderem no areal. A pacatez do Barril em final de tarde. Um impressionista não pintaria melhor. Joaquín Sorolla y Bastida podia habitar estes tons. Os mesmos que vestiu em outras paragens. Mas a luz e os azuis são quase iguais.

Vela Azul


O Gilão reflete, generoso, as luzes da noite. Até os neons nele têm brilho longo. Como velas que não queimam cera.

Caldeirão Verde

De Inverno, a extensa serra algarvia que cola com o Caldeirão, cobre-se de verde, tenro. É uma das maiores áreas da Europa livres de poluição industrial, último reduto das reservas naturais, embora não esteja assim classificada no seu todo. Paraíso das águias.

sábado, 3 de março de 2007

Petisquinho

Aqui radicam alguns dos meus melhores conceitos. São as «coisas boas». Ajudam a tudo. Excelente companhia de conversas, noite fora.

Deram-me um conselho...

E vou seguí-lo!

Canta o galo


Quando o galo canta, pouco antes do sol nascer.
Umas vezes acordo. Outras, deito-me.

Foi assim




Só saí de casa ao final do dia. E foi a primeira vez que fiz praia de noite. Estive dentro de água umas boas três horas. De regresso, apanhei o último combóio, que, excepcionalmente, partiu às duas da manhã. Nos dias seguintes ficou tudo cheio de cinzas. Lembras-te bem, aposto...

Conta-se

No Meu Mar, a intensidade da Felicidade conta-se pelos dedos dos pés.

Euseiqueconheces...





Repete-se todos os dias.
Por cima petróleo-claro.
Por baixo é negro.
E ao meio, um Até-Logo, em tons sempre quentes.

Calma


Pouco antes do jantar, a Pontespelho mostra-te toda a paz que precisas.

A.zul dourado

Esta é a luz mais bela que conheço.

Calçada.deluz

Estou deste lado. Mas vou ter contigo. É só uns quantos passos...

Ilumina-me

Sigo os holofotes e vou lá ter. Sei que quero passar.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Santiago da Espada

A Espada não mente. Está lá, empunhada ao lado do escudo de armas. É o resquício da Ordem Militar de Santiago, carimbado na fachada da sua igreja, que entre as 37 da cidade, não sendo a mais imponente, será talvez a mais representativa. A esta ordem castelhana se ficou a dever o apoio à reconquista do Algarve e, sobretudo, de Tavira. No seu local estava a mesquita menor. As suas imagens são cuidadas, e a de Nossa Senhora Cândida (século XVI) não deixa ninguém indiferente.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Copo de Sangue

As âncoras do Barril, além das casas construídas para guardar artes da pesca e tratar o atum capturado - hoje restaurantes e lojas -, são o último vestígio da actividade do copejo do atum. Esta pesca era feita com um sistema de artes que, fixado por lastros na areia, montava dentro de água verdadeiras paredes de rede que canalizavam os cardumes de atum para uma zona central (essas redes chamavam-se «rabeira», na zona exterior, e «bicheira», na zona interior, apoiadas por outras redes que impediam os atuns de inverter a direcção, as designadas «invaginações»). Estas longas redes verticais eram mantidas à tona por boias e prolongavam-se até chegarem a um grande rectângulo central, de 350 por 50 metros, dividido em três partes, câmara, bucho e copo. Era no copo, que, depois de fechado, os pescadores fisgavam os atuns, espetando-os com arpões e auxiliados por ganchos. A armação do Barril chamava-se «Três Irmãos» e era uma das principais. Concorriam com ela, a «Abóbora», a «Nova» ou de Nossa Senhora do Livramento e a do «Medo das Cascas», que era tida como uma das maiores - foi arrasada por um temporal e reconstruída sob o nome de Ferreira Neto. A época mais importante desta pesca ocorreu entre 1870 e 1890 e há registo que no ano capicua, de 1881, só no «Medo das Cascas» foram capturados 41 mil atuns. A grande rivalidade na pesca também espelhou a eterna disputa entre Olhão e Tavira, sendo que os principais armadores de pesca do atum eram de Olhão e de Faro, embora algumas das maiores armações se localizassem em Tavira. Não obstante, esta pesca tinha especialistas com grande arte e alguns dos melhores nem sequer se encontravam ali, mas em Monte Gordo. Pela simples razão de Monte Gordo ter sido, na sua génese, uma vila exclusivamente piscatória - dos «cuícos» -, desenvolvida à volta da igreja construída nesse areal. Essa comunidade piscatória de longa tradição teve uma forte identidade linguística, talvez a mais vincada de todo o Algarve. Nos anos 50, a minha mãe fez um dos mais detalhados trabalhos existentes sobre os termos, vocábulos, expressões e fonética local que, então, foi acompanhado por um fantástico levantamento fotográfico sobre a pesca do atum (não é o caso da foto aqui reproduzida). A imagem que retenho desde sempre desta pesca é a de uma gigantesca mancha de sangue na água, que as correntes demoravam a dissipar.

Flor minha




Há-as côcas. Abrem-se com a boca. Porque a casca é fácil. Quando lhes falam com sorrisos gentis, dão todo o ar da sua beleza. São, por excelência, a alegria polvilhada entre o azul do céu. Ligeiramente rosada.